segunda-feira, 18 de janeiro de 2016




Você me tocou por todo o caminho, excitando tudo em mim, me levando pra além
Domando-me a cada movimento, me imobilizando no prazer.
Sem fôlego, sem pensamentos, sem noção do passar do tempo e da concretude do espaço,
entregue ao seu controle...marionete rítmica, envolta em seus movimentos,
Seguindo apenas a direção do farol e as linhas pontilhadas no chão.
Rendida em absoluto, contenção por segurança, com o gozo emergindo no suor.
Minha face formigando, pelo penetrar prazeroso do seu doce escrutínio.
A cada beijo bebido sentia que meu coração estava lá, reagindo, insano.
Como se não bastasse, na entrega você me possuiu, cada parte, cada fôlego perdido era seu.
Com um toque constante, sísmico, você me guiou ao absoluto, ao transbordar dos poros, a explosão do desejo.
Uma corrente de impulsos percorreu meu corpo, do qual não tive nenhum controle.
Vi a realidade em névoa, embaçada pela volúpia e o calor da carne em chamas.
No momento derradeiro, fez-se silêncio, e ao seu comando fui inundada pelo cheiro, hálito, pelo olhar... que emanava dos nossos corpos... então me perdi pra nunca mais querer me encontrar.
Hoje estou na interseção do desejo e da alma, convexa no reencontro.
Em seus olhos vejo a miragem de alguém que hoje tem forma e sentido, pelo fascínio inebriada.
Sob o jugo de tua luz, projetada em reflexo real, no espelho de noites nuas e entregas absolutas.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Minha amada imortal

Passei tempos e momentos em uma busca tortuosa, em encontros sem propósito, perpassando vidas, me mantendo em algumas por puro cansaço... Quando havia me engajado em outro meio de entrega ao desconhecido, obviamente no intento de me perder de uma vez, vi sua imagem e da perdição fui empurrada a descoberta.
 Eram olhos de mistério que me prendiam a encará-los sem conseguir decifrá-los... eram lábios que despertaram um desejo de neles pousar os meus para nunca mais beber de outra fonte... era um sorriso de liberdade que dissipou todos os meus receios do cárcere. Tudo se fez enlace no âmago quando conversamos, eram sorrisos, trocas, novidades, entusiasmo e isso me fez menos errante em dúvidas.
Então em uma noite clara e ébria te vi pessoalmente, fiquei hipnotizada por cada movimento seu... tão forte e marcante, uma energia vibrante de vida que há muito buscava. Nesse momento me perdi. Paralisei. Não tinha ideia de como faria para fazer o encontro acontecer, porque você era movimento puro e eu estava anestesiada e de coração manco.
Quando, de forma infantil e desastrada, consegui clamá-la em meio às pessoas como sendo minha e assim beijá-la... foi como se um raio atinge-se meu corpo. Não queria largá-la nunca mais. Era o gosto mais inebriante e real que já havia provado... estava enfeitiçada... entregue, ao mesmo tempo apavorada, pela ausência de gravidade que me fizesse colocar os pés no chão. Quando a perdi naquela noite, me senti como uma criança em meio à multidão em um lugar insalubre e perigoso. Mas você reapareceu e todo o resto deixou de existir... só havia tudo em mim entregue ao espaço do seu abraço e o alívio dos seus beijos.
Nossa primeira noite de amor foi de um prazer que nunca havia experimentado. Nunca tinha visto tanta beleza, sentido tanto calor. Meu corpo parecia estar sendo tocado pela primeira vez. Nunca fui responsável pelo prazer do outro, mas naquela noite você me entregou as rédeas do seu corpo e mesmo perdida, fiz o que o meu sentia do seu e a união disto me quebrou por dentro. Algo em mim amanhecia como naquele dia, mas, tal como, ainda em meio à chuva.
Fiquei assustada, não acreditava que tudo aquilo em mim pudesse ser real... Quis me perder novamente em vazios, porque eram mais seguros por serem prazeres fugazes, incapazes de fazer alguma marca. Arrisquei fazê-lo... porém, algo em mim já estava lutando contra a negação.
Cedi e percebi que meu ego superprotetor já não estava mais no controle. Ele se rendeu a você. A ansiedade dele era por você, as tentativas dele eram para trazê-la para perto, arriscando sua integridade orgulhosa para se ajoelhar ao seu comando. Até que em certa noite de luar, o sinal que precisava para me lançar no abismo do amor se deu. Você se entregou de alma e as lágrimas advindas dela inundaram tudo em mim... limpou toda a resistência e o desejo de nadar rumo a profundidade encontrou eco.
Então nos lançamos na estrada, era como uma fuga... uma viagem para algo familiar e a muito procurado. Estava segura, certa de que era ao seu lado que queria estar, como se ali já estivesse antes, como se fosse esta a morada que estava ávida em ter pouso. Até que naquela noite, sua alma chorou novamente... mais forte, totalmente transparente...indefesa... insegura... mas despida. Então tudo fez sentido. Os alertas que ressoavam em mim... os alertas de dois amigos... tudo se somou e ressoaram aos berros quando a vi nesta entrega.
Deus! Senti o desejo de muitas vidas e com isso minha alma despertou... se rendeu e de alegria chorou.  Era você, a melodia que eu ouvia em sussurro, me chamando, mas que não conseguia identificar ou alcançar. Era você, o cheiro que sentia, e me fazia me perder em saudade. Era você, a presença que me inquietava e me tornou errante em buscá-la. Era você, aquela que havia perdido, que escapou entre os dedos, e que fazia com que eu vivesse em uma constante autopunição e sabotagem, por tal erro imperdoável. Foi arrebatamento perceber que você estava ali, diante de mim, me querendo em sua vida novamente.
Desde então estou inundada de você... beijá-la ou simplesmente olhá-la me faz querer permanecer acordada para sempre, por puro medo de perder um instante sequer deste êxtase. Meu querer é tão intenso que somente demonstrando você entenderia. Minha necessidade de você é insaciável e definitivamente estou reaprendendo a graça das outras questões da vida, porque meu pensamento esta aficionado, tudo esta se resumindo a você. Meu corpo grita pelo seu. Minha alma pela sua. Minha vida pela sua presença.
Por isso, resolvi te contar o que esta por trás de cada olhar, de cada sorriso, de cada expressão em mim. Porque o mistério deve ser caminho acessível ao desejar e não labirinto de perda. Por isso, te contarei a simples resposta: Nós. Tudo o que você vê é Nós, em todas as intensidades e vibrações que os sentimentos podem adotar quando diante de um mestre tão poderoso, o completo amor.
As nuances das vidas que vaguei te procurando, te encontrando e te perdendo, me ensinaram o que fazer quando diante desse encontro, desta que parece ser uma última chance: se render, sendo a melhor que poderia ser para nós. Então me receba... me tenha... Porque você me conquistou em cada entardecer e por isso a cada amanhecer serei sua. Hoje minha alma vive no ritmo do meu coração, porque nele está você. Hoje sei o que é sentir, o amar mais do que ontem e menos do que amanhã. Digo estas três conclusões, porque um dia as disse para outro alguém de forma leviana, não em tom de declaração, mas de orientação, caso quisesse provar que era quem buscava... fui cruel em fazê-lo, todavia somente agora compreendo que eram os estágios que precisava sentir, para que soubesse que havia encontrado quem havia perdido... e sem sombra de dúvidas, agora em afirmativas de declaração, minha busca era você aroeira... você é a minha amada imortal. E hoje posso transformar minhas lágrimas em vinho para brindar este reencontro.



Não tenho mais medo

Do meu amor pra mim, de mim para meu amor.

Por DANIEL BOVOLENTO / 6 DE JANEIRO DE 2016
Fonte: http://entretodasascoisas.com.br/2016/01/06/nao-tenho-mais-medo/

Eu não tenho mais medo, amor. Agora, eu digo, grito e berro que eu te amo. E que se danem os vizinhos se acharem ruim a minha serenata. Tô nem aí. Porque eu to feliz e confiante em declarar que esse amor me faz bem.
É que nem todos fizeram isso. Amor mal direcionado vira ferida desatada. E dói lembrar as vezes que disse “eu te amo” para o alvo errado. É como se as palavras ricocheteassem e voltassem para mim em brasa.
Mas dessa vez é diferente. Eu já te amava baixinho, sem saber se você também o fazia em segredo (quer dizer, eu sabia que você me amava em retorno também, mesmo em silêncio). Resolvi guardar para mim as palavras e deixar que o corpo fizesse o trabalho dessa vez. Quem sabe assim você perceberia o quanto eu te quero bem.
Eu dizia que te amava em cada abraço de chegada e em cada beijo de despedida. Em cada dedo entrelaçado nos seus ou no seu cabelo. Em cada carinho na bochecha ou nas costas. Em cada olhar demorado e em cada crise de riso. Em cada conversa de final de dia e em cada desabafo.
Não sei por que eu tinha essa fobia em verbalizar o que já estava na cara (e em todo o resto de mim). Talvez porque você poderia não ter interpretado bem aquele meu sorriso… Vai que você não é tão bom na leitura de entrelinhas?
Mas já fazia uns dias que não tava mais dando pra segurar isso na garganta. Parece loucura, mas chegava a doer de verdade. Fisicamente. E aí, eu o deixei sair. Inseguro. Trêmulo. Sussurrado. Sem saber o que esperar em retorno.
Para o fim de todos os meus temores, você sorriu e disse um “eu também”. Parece que as palavras vieram em câmera lenta. Seu tom de voz foi suave. Tenho certeza de que vou guardar esse momento para sempre. Principalmente se eu voltar a ter medo.